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Empoderadas da agroindústria mostram que o campo também é para mulheres

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SDR estima que 50% das agroindústrias que estão expondo são comandadas por mulheres
SDR estima que 50% das agroindústrias que estão expondo na Expointer são comandadas por mulheres - Foto: Karine Viana/Palácio Piratini
Por Alessandra Pinheiro

Agricultora, pecuarista e apicultora. Essas são apenas algumas das profissões das milhares de mulheres expositoras que participam da 40ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. E elas estão cada vez mais liderando os negócios, especialmente nas pequenas agroindústrias. No Pavilhão da Agricultura Familiar, por exemplo, 50% dos empreendimentos presentes à feira são comandadas por mulheres, conforme estiomativa da Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), 

O diretor de Agricultura Familiar e Agroindústria da SDR, José Alexandre Rodrigues, explica que as mulheres se diferenciam na hora de buscar mais conhecimento sobre o setor. "Na agroindústria, o homem se envolve mais com a produção de matéria-prima, enquanto as mulheres procuram participar de capacitações e novas técnicas de comércio, levando mais informações para o crescimento do negócio”, esclarece.

Segundo a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) do governo federal, atualmente as mulheres são responsáveis por 45% da produção de alimentos no Brasil e nos países em desenvolvimento. Quase tudo o que lucram, 90%, reinvestem na educação e no bem-estar da família. Trabalham cerca de 12 horas semanais a mais que os homens, mas somente 20% são proprietárias das terras onde produzem.

De acordo com estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), além de justiça social, o empoderamento da mulher do campo pode representar um aumento de 30% na produção agrícola e garantir a segurança alimentar do planeta.

Se depender de Cirley Lorenzeti é isso mesmo que vai acontecer. Responsável pela agroindústria Sabores da Montanha desde 2005, a moradora de Pinto Bandeira mudou sua realidade quando resolveu apostar no empreendedorismo. “Me casei aos 19 anos e, desde antes, já sabia que eu queria bem mais do que viver só na colônia. Foi então que eu decidi utilizar os produtos que eu plantava para abrir o meu próprio negócio”, afirma.

De geleias a frutas desidratadas, a empreendedora aproveita para comercializar os seus produtos em diversas feiras e eventos da agroindústria. “Eu perco alguns momentos com a família, mas vale a pena. É importante que a mulher tenha isso em mente se quiser começar uma agroindústria. Tem muitos sacrifícios, mas ver o resultado é muito gratificante”, reconhece.

Iracema: "Uma mulher que comanda uma agroindústria familiar não pode baixar a bola, tem que estar sempre olhando para frente"
Iracema: "Uma mulher que comanda uma agroindústria familiar não pode baixar a bola, tem que estar sempre olhando para frente" - Foto: Karine Viana/Palácio Piratini
A empreendedora Iracema Konzen, da Agroindustrial Tigre, concorda e afirma que é preciso ter pulso firme. “Tem que ter muita força de vontade e organização. Uma mulher que comanda uma agroindústria familiar não pode baixar a bola, tem que estar sempre olhando para frente”, aconselha a moradora de Arroio do Tigre, que comanda a empresa da família há 15 anos.

Edição: Denise Camargo/Secom

Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo