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Programa do Estado melhora gestão, gera eficiência e aumenta renda da agricultura familiar

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Ivânia Binda contou que além do aumento da renda e diminuição da penosidade no trabalho, o filho planeja voltar à propriedade
Ivânia Binda contou que além do aumento da renda e diminuição da penosidade no trabalho, o filho planeja voltar à propriedade
Por Nathalie Sulzbach - Ascom SDR
 
O relato de casos de três famílias da região da serra demonstra os impactos positivos gerados pela adoção do Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar. Coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) e executado pela conveniada Emater/RS, o programa já teve a adesão de 952 famílias de agricultores familiares gaúchos, que receberam um diagnóstico socioambiental e econômico da propriedade e um plano de gestão feito pela Emater. Os exemplos das famílias Binda, Tolardo e Goin foram apresentados em seminário na terça-feira, em Vila Flores, na Serra, comprovam que planejar uma propriedade para torna-la mais eficiente produz ganhos econômicos para a agricultura familiar.
 
Na propriedade 24,6 hectares da família Binda, em Fagundes Varela, os técnicos da Emater identificaram que a produção leiteira tinha baixa eficiência produtiva e alto custo de produção. As 18 vacas em lactação produziam 262 litros/dia, com custo de R$ 0,97. O plano de gestão incluiu ajustes na dieta do rebanho, manejo do pastoreio e das pastagens, planejamento forrageiro e pastoreio rotativo.
 
"Hoje, após um ano de trabalho, as 19 vacas em lactação aumentaram a produção para mais de 420 litros/dia, o que multiplicou a renda obtida pela família com a atividade, mesmo com a queda do preço do leite pago ao produtor ", comentou o engenheiro agrônomo da Emater, Leandro Ebert. Antes das mudanças propostas pelo programa, a família tinha renda agrícola anual de R$ 10.139, o equivalente a R$ 844 mensais. Com as adequações implantadas, a renda agrícola anual saltou para mais de R$ 64 mil, ou R$ 5.382 mensais, um aumento de 540%. 
 

Sucessão rural

 
Antes de alcançar este desempenho, a família precisou ser convencida de que precisaria abandonar velhas práticas. “O técnico da Emater esteve três vezes em nossa propriedade até conseguir nos convencer de que deveríamos fazer estas mudanças”, contou Ivânia Binda, em depoimento no seminário em Vila Flores. “No fim das contas, isso aumentou nossa renda e diminuiu a quantidade de trabalho, pois agora temos planejamento.” Com a situação melhor, o jovem Tiago, filho de Ivânia e José, planeja o retorno à propriedade.
 
“Se o jovem tiver renda, ele vai voltar para o campo”, enfatizou o secretário da SDR, Tarcisio Minetto. “A sucessão rural também é objetivo desse programa", completou Minetto.
 
Em Antônio Prado, a família Tolardo estava com dificuldades para comercializar as hortaliças que produzia. Após o plano de gestão, resolveram trocar a matriz produtiva para morango, os quais são comercializados in natura. O aumento de renda chegou a 330% em relação à cultura anterior. No caso dos Tolardo, o filho percebeu o potencial do negócio e parou de trabalhar como eletricista, retornando para a propriedade. A meta da família até 2019 é produzir 30 mil quilos de morango por ano, além de diversificar a produção com fruticultura de amora e framboesa.
 

Acordo de Resultados

 
Outro caso de sucesso apresentado foi o da família Goin, de Nova Prata. O plano de gestão apontou que o incremento na atividade leiteira e o encerramento da atividade de avicultura de corte tornaria possível o sonho da filha do casal a ingressar na faculdade de Medicina. O diagnóstico da propriedade mostrou que o lucro com o aviário não compensaria os gastos da adaptação para estar de acordo com as normas de biossegurança. O aviário foi adaptado como sala de alimentação para os bovinos de leite.
 
Orientada pela Emater, a família implantou outras melhorias: sistema de irrigação nas pastagens, capacitações em atividade leiteira, piqueteamento, construção de esterqueira (para evitar poluição dos mananciais), sala de ordenha e manejo das pastagens e do rebanho. Essas ações possibilitaram um incremento de 60 mil litros/ano, o que representa 5 mil a mais por mês.
 
O secretário Tarcisio Minetto destacou que o programa é monitorado no Acordo de Resultados da Secretaria do Planejamento, Governança e Gestão do Governo do Estado. Além do incremento na renda, também são analisados indicadores socioambientais, como saneamento básico, abastecimento de água de qualidade e acesso a bens e serviços.
 
O coordenador do programa pela Emater/RS, Célio Colle, lembrou que o incremento de renda para o agricultor familiar também traz retorno econômico para os municípios e, consequentemente, para o Estado. “No setor do leite, por exemplo, tínhamos vários casos de baixa eficiência no setor de leite, até de produtores que ofereciam rações desbalanceadas para o animal”, lembrou Colle. “Uma das soluções para aumentar a eficiência produtiva foi analisar o tipo de ração e adequá-la às necessidades dos animais, o que aumentou produtividade” afirmou.

Metas do programa

 
As metas estipuladas são a capacitação de 1,2 mil técnicos; inclusão de 40 mil agricultores e/ou pecuaristas familiares; implantação de 20 mil planos de gestão e implantação e acompanhamento de 900 unidades de referência técnica. Os resultados esperados são: o aumento da renda agrícola em, no mínimo, 20%, em quatro anos; aumento da área com práticas conservacionistas em, pelo menos, 10%; acesso a bens, serviços e políticas públicas e produção de 10 ou mais produtos para autoconsumo.
 
Para mais informações técnicas, veja o hotsite do programa aqui
 
 
Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo